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[ Prólogo Kirmizi ] Reflexões Pós-Missão

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[ Prólogo Kirmizi ] Reflexões Pós-Missão

Mensagem por Hrist de Polaris em Ter Mar 03, 2015 8:24 pm










Reflexões Pós-Missão  



Os dias no santuário se tornavam mais movimentados, até os pássaros passaram a se manter afastados. O silêncio por parte da cúpula me dava motivos para acreditar que em breve iríamos agir, eu olhava para a porta da minha morada esperando que o Patriarca viesse coordenar mais uma missão, mas nem mesmo sentia a movimentação dos outros dourados.
As velas da casa de escorpião dançavam sensualmente juntas ao vento, como se o agarrassem para se livrarem da solidão... era uma noite fresca, de céu estrelado como de costume, no horizonte meus olhos contemplavam as luzes das lamparinas em Rodóril como se fossem um céu estrelado no chão. Eu estava sentado na escadaria de minha morada, segurando uma garrafa de vinho que se esvaziava na mesma velocidade que os ventos causavam assobios em meio ao silêncio que habitava os arredores das treze casas...

"Mestre Taru... o que diria se pudesse ver as estrelas daqui? Será que ficaria feliz ao ver as luzes de Rodóril parecerem as estrelas refletidas no lago de seu Vilarejo? Ou tentaria decifrar cada uma delas, como se fossem de fato constelações? Te visitarei em breve meu mestre... guarde o chá para mim, como sempre fez."

Depois da missão na Vila do Vale, me mantive na casa de escorpião, aguardando meus ferimentos sararem. O cheiro das fragrâncias exalava por todo o local, de forma que era impossível não senti-los ao passar por minha morada, que tinham tecidos de minha cor favorita erguidos em seus pilares. Os riscos nos pilares, colunas e piso, a tornavam enigmática e digna, mostravam um passado de resistência contra invasores, mostrava como Atena sempre possuiu cavaleiros de escorpião bravos e justos. A garrafa de vinho se esvaziava na medida que a noite se tornava mais fria, era uma boa forma de amenizar as dores em meu peito, que me faziam pensar se Issac teria errado meu coração, ou se não tivesse o acertado de propósito, o golpe que certamente ceifaria minha vida...

Meu braço esquerdo só continham marcas do confronto contra aquele que diziam ser o cavaleiro de prata mais poderoso. Mas se fosse minha a missão de determinar uma alcunha, diria que era o mais poderoso de todo o santuário, tamanha era sua desenvoltura e tranquilidade no campo de batalha... Seu olhar era calmo, e não perdeu a postura nem mesmo quando lhe acertei no peito, ainda teve tempo de me proporcionar uma reflexão sobre minha jornada... "- Que bom que Atena tem cavaleiros como você... eu fiz isso tudo para ter meus companheiros vivos outra vez, pois foi numa missão coordenada por mim que eles morreram. Em troca me tornei um renegado, mas o motivo da armadura de Altar não ter deixado meu corpo, é que meu coração nunca havia deixado de amar Atena."- Estas foram as últimas palavras de Issac, antes de revelar também que nunca tinha tido coragem de ferir Athena, e que reconhecia ter se tornado um demônio.

"Até demônios possuem um coração, parece que dentro do corpo humano só tem carne e sangue, porque o tal coração que dizemos, deve ser algo relativo a alma. Do contrário Issac não poderia ter morrido com aquela expressão em seu rosto. Mas eu também matei... "

Desde que criança ouvi meu pai dizer sobre a profecia que os deuses tinham revelado ao ancião do Tibet...

"Duas sementes sairão do ventre de sua esposa, uma luz vermelha guiará um, e o fará grande, de forma que viverás e servirás a um deus. "

E Taru também entregou profecia semelhante quando eu iniciei meu treinamento com ele, aos meus 10 anos...

"...desde então espero pelo dia em que os deuses, ou um homem digno venha buscá-la; a armadura feita de sangue, e que representa o escorpião dos céus. Você veio aqui pedir para que eu ajudasse seu filho a usar o cosmo, mas parece que foram os deuses que decidiram isso."

Desde o ventre de minha mãe eu havia sido escolhido para lutar nessa batalha, e me preparei durante toda uma grande parte da minha vida só para chegar "aqui" pronto.
Mas ainda sim, porque aquela missão ecoa tão ardentemente dentro do meu peito? Será que nos confins de minha alma, eu ainda conservo uma arrogância que me faz pensar em desistir de tudo?
Não, deveras isso não poderia acontecer, a confiança em meu cosmo, e a certeza de que meus punhos destruirão o inimigo, são forças extremamente poderosas que me fazem ter segurança suficiente para não temer a nada ou ninguém.

A verdade é que cresci acreditando apenas no bem e no mal, mas talvez não seja possível enxergar de forma total o que é mau e o que é bom, em uma guerra ambos os lados lutam acreditando na vitória, acreditando em sua justiça, acreditando que conseguirá erguer sua bandeira ao fim da peleja, naquele momento onde os homens se tornam feras sem coração, não há bem ou mal, pois todos acham que estão corretos, e quem entra descrente disso, é morto mais rapidamente, pois não terá o que queimar para manter sua chama acesa.

Refletia constantemente sobre as ações de Issac, e consequentemente sobre a forma como revelou que seu coração jamais teria conseguido deixar de servir Atena. Os pensamentos eram minha única companhia, deitavam sobre minha face no mármore frio da vida de um guerreiro, e abraçavam minha alma ainda aflita pela morte desnecessária de tantas pessoas.
Por mais que eu desejasse não poderia deixar de reconhecer que os espectros não eram demônios como diziam, mas eram humanos, e talvez nós fossemos de fato o único demônio na natureza...
Fui até alguns registros que estavam engavetados na minha morada, e lá encontrei relatórios em línguas muito antigas à julgar pelo estado dos pergaminhos. Mas encontrei alguns mais recentes, os quais me fizeram pensar sobre as guerras santas.

"O homem vive em constante guerra, é natural que os deuses também o façam... mas a vida de um homem é tão breve quanto o som de um trovão, por que ainda insistimos em brigar por terras que não teremos tempo ou vida para apreciar? Por que os deuses que são eternos brigam ao invés de dividirem suas eras, e gozarem junto de suas relações?
Não é só o homem que é superficial demasiadamente, mas também os próprios deuses se sentem profundamente inseguros, parece ser intrínseco a qualquer ser vivo a dúvida, o medo e a ganância... Mas só os racionais o fazem por motivos que não condizem com sua necessidade de viver."


- Por que então aquelas pessoas que mal algum fizeram tiveram de morrer? Elas eram felizes, viviam de forma simples, isoladas sem culpar ninguém por isso. Issac era um Muviano que sabia dos segredos que envolvem o reparo de armaduras, ele sabia que em nada mudaria aquela quantidade de sangue inocente derramado sobre as mesmas, ainda sim o fez esperando o momento do espectro parar de vigiá-lo... Não valeu a pena Issac, você assim como eu não aceitou a morte que vira frente aos seus olhos, mas eu não desejo trazer aquelas pessoas de volta a vida, isso traria a elas a dor de viver novamente, o medo de morrer, e por fim a morte, selando-as por uma segunda vez... -

"Eu não entendo... você foi tão longe, e só acabou perdendo a própria vida, e ainda morrendo como um traidor, sem direito a ter seus ossos enterrados no cemitério dos heróis. Será que um dia eu terei tanto apreço por alguém, que sua perda significará uma mudança brusca em minha personalidade? Ainda que esse dia pudesse chegar, eu tiraria a vida de pessoas inocentes?"

As lágrimas que escorriam dos olhos das mães que caíam ao chão sem forças ao ficarem sabendo da morte dos filhos, afogava-me num lago silencioso que sem voz apenas emitia gemidos... Imaginava que tipo de batalhas, e situações estariam por vir, eu pensava sobre a fragilidade humana, e nos corações indecisos. Enfrentar um poderoso inimigo não me desmotivava, mas a traição era uma coisa que eu jamais havia presenciado. Nunca poderia imaginar que alguém pudesse mudar tanto só para mentir pra si mesmo, e passar por cima de tudo que era justo e ético.

A guerra não torna as pessoas ruins, só as distanciam de seu lado mais humano... era diferente estar pronto para a guerra, e ser de fato um guerreiro, e naquela missão eu pude ver que não estava ainda totalmente distante do meu lado humano.
De certa forma Issac serviu-me como "chão", eu pude confrontar minhas certezas absolutas, e analisar os resultados de minha missão, comparando-a com tudo que eu imagina que iria acontecer...
Eu passei a desejar e esperar pelo pior, o problema não era ignorar o sangue do campo de batalha, o problema era saber que o sangue de inocentes também escorre em uma guerra.
Eu tinha ouvido histórias de nações que se dissiparam totalmente, e se perderam dentro de inúmeras guerras, eles matavam qualquer um que pudesse empunhar uma espada, fosse mulher, velho ou criança. Em uma guerra de deuses, eu deveria estar preparado para esse mesmo tipo de perda, Issac me mostrou como matar é fácil, quando já se está fazendo isso há muito tempo e como não há diferença entre um guerreiro e uma criança, pois ele as matava como se mata um adversário feroz.  

- Mas a verdade é que matar Issac não trouxe nenhuma daquelas crianças de volta a vida. -

"Não posso deixar que minha guerra se torne um mar de vingança, pois não conseguirei nada de volta, é preciso lutar pela justiça em que acredito, do contrário um dia meus olhos poderão me cegar, e fazer com que eu tenha um senso de justiça ofuscado por coisas que já foram perdidas, assim como Issac fez."  

- Issac você se deixou levar por sentimentos que contaminaram seu coração, só se pode ter de volta as coisas que perdemos, mas nunca teremos àquelas que abandonamos, e você abandonou seu caminho de justiça... -


Meus pensamentos, as estrelas, o vento, as velas, e a garrafa vazia me faziam companhia... Eu espero cumprir o destino que os deuses escreveram para mim, espero ver e participar da era de paz que Atena trará ao mundo. Os sacrifícios já haviam começado, não dava mais para parar, era preciso dar um sentido a tudo aquilo, era preciso tornar a felicidade uma condição verdadeira para todos.

Eu iria evitar que outros como Issac surgissem... eu não queria ver inocentes envolvidos na guerra, eu queria apenas salvar as pessoas de provarem do veneno de outras, como aquelas que morreram pelas mãos de Issac provaram...

Em tempos de paz convém ao homem ser manso, e suave, mas quando estoura a guerra; este homem deve se comportar como um tigre, afim de proteger os que não podem deixar de serem mansos... Esse é o significado de lutar por Atena, definitivamente eu não sou como Issac, pois cometer um mal para obter um bem maior, é como ferir o solo para plantar a semente. E a minha semente é a justiça de Atena, e não me importarei de ferir a terra quantas vezes for preciso.

A morte será derramada na terra, para que o mundo possa viver pelo menos, mais 200 anos de paz...

"Se queres paz, prepare-se para a guerra..."







Hrist de Polaris  ♥️ Representante de Odin
Hrist de Polaris
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Ficha de Personagem
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100/100  (100/100)
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